Noite de homenagens a Nerval Leite (31/03/2011)
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A noite desta quinta, 31, em Verdelândia, foi de homenagem a Nerval Leite Flávio, grande pecuarista que a região perdeu no fim do ano passado. Em solenidade no Parque de Eventos, o prefeito Wilton Madureira homenageia Nerval Leite, que passa a dar nome ao Parque de Eventos, que agora se chamará Parque de Eventos Nerval Leite Flávio. Gustavo, filho do pecuarista, bastante emocionado, também prestou sua homenagem ao pai, discursando sobre o que ele representava para a região e para a família.

O nome de Nerval Leite foi afixado na fachada do Parque, além de uma placa na entrada, com seu nome e foto, e com os dizeres: “Competência, seriedade, amizade, e seu olhar visionário, são sinônimos de Nerval Leite Flávio. E como ele mesmo dizia ‘viva a natureza’”.

Logo após foi realizado o leilão Tradição da Raça, com machos para corte e fêmeas para reprodução. O evento lotou o Tatersal, e teve a presença dos principais pecuaristas da região, que puderam realizar seus negócios, prestigiando mais um tradicional leilão em Verdelândia.




O evento também serviu para homenagear Torquato Viglioni, proprietário da Ruralpel Leilões, falecido ano passado. Sua esposa, Mônica Viglioni, recebeu placa de homenagem das mãos do prefeito Wilton Madureira, se emocionando com o ato.

(Mônica Viglioni e Torquato Viglioni - Foto: onorte.net)
O leilão foi promovido pela Prefeitura Municipal de Verdelândia, com organização da Ruralpel Leilões.
Nerval Leite Flávio: uma vida a serviço do progresso
Nerval Leite Flávio, um dos grandes empreendedores da região da Serra Geral, nasceu na Fazenda Capão Danta, no distrito de São João da Vereda, município de Montes Claros.
Filho de oito irmãos, sendo duas irmãs, começou a trabalhar cedo. Aos 8 anos já vendia frutas na cidade; aos 10 trabalhou no armazém de seu irmão mais velho e aos 13 anos começou a trabalhar como vendedor na “Caçula”, loja de roupas, paralelamente estudando no científico e escola normal; aos 18 anos entrou para o tiro de guerra.
Quando estava com 20 anos fez sua primeira viagem de avião. O destino era Belo Horizonte, onde iria trabalhar no Ministério da Fazenda. Na capital mineira, morou em uma república na Rua São Paulo e entrou no curso de Ciências Contábeis, Administração de Empresas e Economia.
Em seu trabalho, no Ministério da Fazenda, conheceu Maria Helena Coutinho, que viria a ser sua esposa. Casaram-se no dia 9 de dezembro de 1967, na Igreja de Lourdes, na capital mineira.
O casal foi se desenvolvendo no trabalho junto a Receita Federal, ambos se tornando Auditores Fiscais do Tesouro Nacional. Mas a vocação para fazendeiro estava em sua origem, e começou a atuar na área, aumentando suas fazendas e demonstrando seu talento como empreendedor agropecuário.
Desde a década de 60, Nerval Leite passou a acreditar no potencial dos então distritos de Cachoeirinha e Barreiro do Rio Verde, na época pertencentes aos municípios de Varzelândia e Janaúba, respectivamente. Em 1966 tornou-se sócio em uma fazenda, com seu cunhado José Antônio Madureira, “Zé Madureira”, como era conhecido. A sociedade teria fim na década de 70, mas, assim como o cunhado, Nerval manteve a propriedade na região.
Nos anos 80, seu caráter arrojado e visão empresarial fizeram-no investir em dois pontos fundamentais para despontar ainda mais como um grande produtor rural: investiu em irrigação, montando um dos primeiros pivôs centrais da região, e deu início ao sistema de confinamento de gado, que o colocara como o segundo maior da região da Serra Geral.
Na década de 90, com a crescente onda emancipacionista em todo o país, Nerval Leite, ao lado dos sobrinhos Jackson e Wilton Leite Madureira, e tantas outras pessoas do lugar, lutaram e conseguiram a emancipação do hoje município de Verdelândia, agregando partes dos municípios de Jaíba, Varzelândia e Janaúba.
Foi figura importante para o desenvolvimento de Verdelândia, dedicando-se a projeção e desenvolvimento deste município. Esforçou-se para trazer investidores de outras localidades, como Belo Horizonte, que passaram a enxergar a cidade como um meio com potencial para o desenvolvimento agropecuário, assim como ele enxergava. Era influente e querido entre os pecuaristas, sempre estando presente nos principais eventos agropecuários da região.
Em suma, ele era Pecuarista de expressão. Nerval Leite Flávio era um dos maiores criadores de gado de corte na região com fazendas em Montes Claros, Capitão Enéas, Janaúba e Verdelândia. Virou Doutor em Economia, Auditoria e Contabilidade. Brilhou como coordenador da área de fiscalização da Receita Federal. Foi, sem dúvida, um grande colaborador para o desenvolvimento do Norte de Minas, contribuindo sobremaneira para o progresso da região. Estava sempre presente nos eventos sociais e leilões, onde se destacava como vendedor e comprador, buscando sempre ajudar e valorizar a classe. Sabia a arte de fazer amigos. Ao lado de sua esposa Maria Helena Coutinho Leite Flávio deu vida ao amado filho Gustavo. Com a coragem que nunca faltou, venceu barreiras. A falta sentida, revelada em gestos espontâneos de pesar, é sem dúvida a prova de admiração e respeito de uma legião de amigos que aqui deixou.
Hoje, Nerval Leite não se encontra mais entre nós. Mas a sua história desbravadora permanece, seu legado para o Norte de Minas ficará marcado para sempre.
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